IINDEPENDÊNCIA

POR DETRÁS DE UMA GRANDE FORTUNA HÁ UM CRIME
BALZAC
(...) Oscilando
entre o crime e a esmola, nem sabem mais o que é o remorso e andam
prudentemente ao redor do cadafalso sem se deixarem conduzir a ele: são ao
mesmo tempo inocentes no meio do vício e viciosos no meio de sua inocência.
Muitas vezes nos despertam um sorriso de lástima, mas sempre nos fazem pensar.
Uns são os representantes da civilização
decadente e abrangem todos os seus sentimentos, desde a honra dos condenados
às até a pátria e suas virtudes. Outros
são resignados , fingindo uma inteligência profunda, mas na verdade estúpidos.
Todos alegam ter grandes talentos e capacidade de trabalho, mas que foram repelidos de volta para a imundície por uma sociedade que absolutamente não se interessa pelo possibilidade de que existam grandes homens e poetas inspirados. gente corajosa e organizações magníficas entre os mendigos,
os verdadeiros boêmios de Paris. Gente surpreendentemente boa e espantosamente má, com todas as classes que sofreram com o desprezo; habituados a suportar males inacreditáveis e mantidos sempre ao nível da lama pelo poder fatal da exclusão social. E todos partilham de um sonho, de uma esperança, de um prazer: o jogo a loteria ou o vinho ordinário (...)
Balzac (Grifo meu)
Todos alegam ter grandes talentos e capacidade de trabalho, mas que foram repelidos de volta para a imundície por uma sociedade que absolutamente não se interessa pelo possibilidade de que existam grandes homens e poetas inspirados. gente corajosa e organizações magníficas entre os mendigos,
os verdadeiros boêmios de Paris. Gente surpreendentemente boa e espantosamente má, com todas as classes que sofreram com o desprezo; habituados a suportar males inacreditáveis e mantidos sempre ao nível da lama pelo poder fatal da exclusão social. E todos partilham de um sonho, de uma esperança, de um prazer: o jogo a loteria ou o vinho ordinário (...)
Balzac (Grifo meu)

Este
contar de Balzac , fez nascer em minha memória, pouco mais de um mês, lembranças
vividas que muito me entristeceram.


Em meu
regresso ao hotel, caminho pela Praça da Independência, Santos.
Vejo deitado ao
chão um moço;
Aninhava-se
para dormir.
Fazia de seus braços nus, seu travesseiro.
Observava-o tenso, repuxando suas poucas roupas para seu agasalhar.
Fazia de seus braços nus, seu travesseiro.
Observava-o tenso, repuxando suas poucas roupas para seu agasalhar.
... Seus pés negros de sujeira...
Sonhos longínquos, perdidos no passar dos anos.
Sonhava em Sonhar.
Nesse cair da noite;
Ansiava pelo dormir;
deixando de lado a realidade...
...Bom Sonhar...
Sonhos longínquos, perdidos no passar dos anos.
Sonhava em Sonhar.
Nesse cair da noite;
Ansiava pelo dormir;
deixando de lado a realidade...
...Bom Sonhar...

Sabemos ser esta cena comum, de tanto em tanto, vemos pessoas assim ao relento, ao Deus dará.
Dará?
TRAZIA EM SEUS PÉS A
SUJEIRA ARRAIGADA DE NOSSOS
"PRÍNCIPES ALIENADOS"
DO SOCIAL;
REPETINDO SUAS CANSATIVAS EXPRESSÕES:
...FIQUEM TRANQUILOS...
...DAREMOS UMA SOLUÇÃO...
DARÃO?

Deve-se deixar a vaidade
aos que não tem outra coisa para exibir
Balzac
SUJEIRA ARRAIGADA DE NOSSOS
"PRÍNCIPES ALIENADOS"
DO SOCIAL;
REPETINDO SUAS CANSATIVAS EXPRESSÕES:
...FIQUEM TRANQUILOS...
...DAREMOS UMA SOLUÇÃO...
DARÃO?

Deve-se deixar a vaidade
aos que não tem outra coisa para exibir
Balzac
| Jornal A Verdade |

Ignorante Analfabeto
é o
Ignorante Letrado

Sua
Idade? 19 anos. Podendo ser meu neto ou bisneto...
QUIS ESSA IRONIA AMARGA...
...EM CONFLITO;
Espelhar essa criatura na
Praça da Independência
IRONIA! IRONIA!
SOMENTE A IRONIA SABE SER IRÔNICA...

Não
tinha ninguém
- perdera sua mãe -
o principal de seu viver
HOJE... SÓ!
HOJE... SÓ!
Vejo como
o extinguir - aos poucos - a luz de uma Vela.
Vejo
em seu olhar a pequena luminosidade da esperança;
de
seu Vir e do seu Viver.


Me
perguntava... e perguntava...
Vinha
em meu indagar - o não entender...
Condoído, sentia-me sem saber o que fazer.
Condoído, sentia-me sem saber o que fazer.
Pouco
dormi essa noite, por não ter estendido um pouco mais de atenção e carinho,
além dos poucos trocados.
Quanto Desatento Meu!
Quanto Desatento Meu!

Sim, estava. - Chamei por ele, e logo acordou assustado.
Ofereci
uma maçã ; sua fome era tanta que não mastigava.
Engolia os pedaços numa enorme avidez .


Engolia os pedaços numa enorme avidez .

Trazia
em seus mirrados ombros ,
o peso
da injustiça... sem compreender!

Os Ombros Suportam o
Mundo
Carlos Drummond de
Andrade
Chega um tempo
em que não se diz
mais: meu Deus.
Tempo de absoluta
depuração.
Tempo em que não se diz mais:
meu amor.
Porque o amor
resultou inútil.
E os olhos não
choram.
E as mãos tecem apenas
o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres
batem à porta,
não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra
teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza,
já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus
amigos.
Pouco importa venha a
velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam
o mundo
e ele não
pesa mais que
a
mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que
a
vida prossegue
e nem todos
se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os
delicados) morrer.
Chegou um tempo em que
não adianta morrer.
Chegou um tempo
em
que a vida é
uma ordem.
A vida apenas, sem
mistificação.

IN
DE
PEN
DÊN CIA
Ouvia
seu Clamor!
Pão pouco, peço;
Peço somente,
em meu viver,
o sorriso da alegria criança...
em meu viver,
o sorriso da alegria criança...
Nada mais... que um pequeno
presente;
que tanta alegria trás, ao pequeno seu nascer;
que tanta alegria trás, ao pequeno seu nascer;
Quem poderia me
oferecer:
- Para ele - tão pouco...
- Para mim um mundo todo?
-Por quê? - me foi
retirada essa alegria...
Pergunto?
- Como fazer...?
- Como fazer...?
- Quem pode fazer...?
- Trocar minha face de Tristeza...
...pela tão desejada face da Alegria?
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