A Grande Guerra.
Vergonha e Horror!
Insensatez...
kikacastro![]()
Se, nossos olhos
permanecerem secos vendo essas imagens.
Se,
nossa alma não derramar lágrimas por tanto sofrimento,
o
melhor, muito melhor seria não ter nascido...
|
Estávamos sendo observados por dois cavaleiros.
Resolvi logo nomeá-los;
O alto e muito espigado, vi em seus olhos azuis a leveza da
Fantasia - da Bondade - e o seu Sonhar.
Pude ver, também, um quê de melancolia - uma ponta de tristeza -
no seu embate pela Realidade.
Dei-lhe o nome – “SONHADOR” – passando a ser meu Capitão.
Outro, o gordinho, com seu olhar simpático, pude ver, contudo, em
seu semblante a dureza da Realidade.
Esse, para mim, seu nome passou a ser “VERO”.
013.Cri.co

Minha irmãzinha voltou para casa, queria ver nossa mãe.
Pedi ao meu Capitão Sonhador
e a
seu ajudante Vero,
se podia fazer parte de seu exército...
-Respondeu ele – que sim – teria muito prazer em ter, em seu
exército, um soldado tão valoroso e corajoso.
Eufórico com a aquiescência de meu Capitão,
Dei o grito de guerra!
Orgulhoso e altivo;
...como nunca me senti igual;
...Soberbo e brioso estava,
desejoso de mostrar ao meu Capitão, minha
– sem par - coragem.
Meu corpo - todo protegido pela armadura guerreira, tal qual
um aguerrido medieval.
Meu sangue
- a correr pelo corpo
...em total
efervescência,
como em estado
febril estivesse,
Pronto para o embate, gritava;
Bravo...!
Bravo...!
...em minha destra! – meu escudo protetor;
...em minha sinistra - à espadinha de lata;
...em meu peito, a bandeira ao vento...
recebendo a brisa suave de - zéfiro - em seu alegre sorrir.
Montei em meu cavalinho de pau;
sentia-me Júlio
Cezar, em toda sua majestade.
Bati em combate,
com fúria que não imaginava ter;
punha por terra
inimigos, num nunca acabar...
Nada via, em
minha frente, que não fosse o desejo maior e puro da justiça.

Meu Capitão -
vendo crescer meu
Entusiasmo,
resolveu dar um
fim.
Descemos dos nossos cavalinhos para um pequeno descanso,
ao lado do fogo
quente e amigo.
Meu falar metido
e frajola - era sobre guerra...!
guerra...! - sem
parar.
Meu Capitão, com
sua sabedoria de tanto viver, logo me deu uma pausa, acrescentando:
- Acho
melhor, criança querida,
parar
com esse seu entusiasmo...
Narrando
com toda sua autoridade, dizia ele;
- Em
minha longa, longuíssima vida, já fui testemunha de inúmeras
de
cenas de guerreiros.
-
Guerreiros cheios de heroísmo e bravura.
-
Suas espadas em riste, ressoavam em vibrações no compasso dos gritos de
guerra - em proteção ao seu povo sofrido.
Traziam, sempre, a imagem da Bondade;
e do
desprendimento;
A
vibração em seus falares do patriotismo
e do
bem querer.
- Vi, entre eles, - um - no trocar de seu Manto...
- Admirei a suntuosidade de seu manto, rico, disfarçando o Terror.
-
Manto que espelhava, em seu entrelaçar, o descaído, e o desgaste em sua trama
pelo Bem Perdido.
-
Pude ver, não mais o bem-querer, mas ...
... Atrocidades
... Atrocidades
...
Torturas;
...
Ganâncias,
...
Corrupções.
- Vi
a desesperança em relembrar o que tanto já vira,
- na repetição de outros - em meu caminhar.
- na repetição de outros - em meu caminhar.
- Vi a transformação do Bem para o Mau.
- Como um camaleão que serve a seus interesses.
Trazia a hipocrisia que muda de opinião,
revelando o seu transformar em
Ditador e Carrasco semelhante a
Besta-fera.
-
Pelas ruas - via e ouvia o Clamor - a doer na Alma.
-Meu
amiguinho, em todos os recantos da terra, encontraremos sempre, um Déspota!
-
Portanto, vou narrar, ainda,
uma
pequena história, esperando o seu mudar.

OCULTO
- Meu amiguinho.
- Preste
atenção...! - Com muito carinho.
- Começou então
sua narrativa:
-Tenho o poder -
meu filho, de observar e estar oculto,
nos
diferentes lugares.
- Desta feita -
muito triste fiquei.
- Ao ouvi-la,
espero que você acabe com essa bobagem, essa indecência e essa
imoralidade de guerra. Certo?
- Meu grande
desejo é que a mocidade se rebele e acabe - de vez -
com essa
falsidade.
Disse ele, ainda:
- De onde observava oculto, pode ver e ouvir:
Chamou logo minha atenção, como se,
uma cena teatral acontecesse.
Observei – triste e cheio de melancolia, a seguinte cena:

O ANÚNCIO:
Entra o BOBO da corte e prenuncia aos brados:
Guerra...!
Guerra...!
Em seguida>
ASSEMBLÉIA –
ALTA CORTE:
-Na soberba e magnífica sala de reuniões
do palácio, pude acompanhar os Membros da Cúpula, e seus dizeres.
*POLÍTICA:
Representada
pelo
AUGUSTO
PRESIDENTE
*ECONOMIA:
Com seus
Magnatas dos Bancos,. Construções, Petróleo
e mais e
mais...
*FORÇAS ARMADAS:
As Três forças
Toma a palavra o
EXCELSO Presidente:
*Nome estranho!
Mas não posso deixar
de dizer seu nome;
Casquilho
Melieiro, Neto.
Tendo sido seu avô
um grande e ilustre político
Pessoa hábil,
inteligente, de uma retidão sem par.
Sempre primou, em
toda sua vida profissional,
Por uma política
correta.
DIZ ELE:
- Nosso Maravilhoso País,
SUPËRBUS – o mais
poderoso do mundo, declara GUERRA ao País
Infërus.
- Estamos com um
déficit muito grande em nossas finanças;
- Despenca - como o
despencar de uma bola de aço ao rigor da gravidade.
- GUERRA! - É o que proponho.
- Não temos outra
saída...
- A situação de nosso
País, e a nossa em particular, não é nada boa.
-Tenho certeza que,
com essa declaração de GUERRA, conseguiremos resolver todos os nossos problemas.
- Não só do Estado,
mas - principalmente - os nossos.
- Estarei, ainda, com
essa medida, estabelecendo a segura e garantida reeleição...
...Dando, assim,
continuidade aos planos PATERNALISTAS e POPULARESCOS, ao SABOR do POVO -
que, sempre foram nossas armas.
- Nobres companheiros
- da mais Honrada Estirpe - nosso caminhar para minha
reeleição e para nosso Partido.
APLAUSOS...!
BRAVO...! BRAVO...!
PALMAS A NÃO MAIS
ACABAR...

Economia?
Seus grandes empresários se deliciando em orgasmos, pelas suas ações.
Vendo - já o crescer nas Bolsas de Valores, os bilhões, que se
avizinham, chegando ao céu.
Já imaginavam, com ansiedade, a reconstrução que fariam de um país
devastado.
Um banqueiro, pedindo a palavra, tristemente expunha sua preocupação
aos presentes que, - seu Banco, nesse primeiro semestre, apresentara um
lucro de NOVE BILHÕES, realmente muito baixo.
- Os acionistas não estão nada satisfeitos.
As três Forças?
Babavam no
orgulho do patriotismo a ser realizado;
Seus arsenais limpos.
Felizes exclamavam!
- Necessitamos de
mais e mais armas!
Em seus ricos
gabinetes já visualizavam,
em toda sua grandeza.
As medalhas de ouro,
em forma de estrelas,
a relampejar - a
cobrir todo seu corpo. Representando o heroísmo realizado na maior grandeza.
Terminada a explanação por Sua Nobre e
Augusta Excelência.
Aos aplausos, todos os Membros dessa Egrégia
e singular Reunião, em Unissonante concordância, aplaudem com todo louvor.
- Vamos brindar...!
Brindar...! Brindar...!
REPETIA O EXCELSO AUGUSTO, sem parar.
...explodiam, a
bater no teto.
As rolhas
francesas, da mais pura champagne, num inebriante...
Nunca acabar...
Comemoram o grande
feito – QUE A TODOS CONTEMPLA;

(...)
Dizem que o farto não entende o faminto; todavia eu, Vania, acrescentarei que
nem tampouco o faminto entende outro faminto.
Humilhados
e Ofendidos - Dostoiéviski

Todos felizes como
nunca;
orgulhosos de
suas ações e suas inteligências.
Já deslumbram;
*O Excelso,
com sua reeleição;
*Os magnatas a
admirar um céu infindo,
em todo o seu azul,
com o maior negócio do século!
Dizia ao seu colega
ao lado
- ...tenho vontade
de fechar um acordo, como fez Dorian Grey,
Trocando,
naturalmente - a aparência pelo dinheiro.
Não abro mão de
ser, ainda, o homem mais rico do mundo.
*As armas, a limpar seus arsenais;

Meus bons amigos,
Capitão Sonhador e, o bom e nobre Vero.
Perplexos exclamavam!
Repetiam... e
repetiam... - como em transe estivessem...
... não acreditavam
no que viam.
Desvario dos
LOUCOS EM SEUS
DEVANEIOS.

Diz meu Capitão, com seu oculto ver:
– Deslumbro agora cenas, que não
imaginava ver!
DECRETADO O CATACLISMO
No pobre País Infërus
Toda população gritava em histerismo>
- POR QUÊ?
Meu país em chamas, sem nada mais restar
Senão o PÓ.
-POR QUÊ?
Massacrar meu MARIDO.
-POR QUÊ?
- Trucidar meus FILHOS, que nada
fizeram para esses BÁRBAROS.
POR QUÊ?
- Nossos INIMIGOS, no renascer de seu
viver se extinguem nessa barbárie
-POR QUÊ?
- Arrancar partes de seus corpos, seus
braços;
suas pernas;
seus cérebros;
suas vidas - num eterno fenecer;
-Suas Mortes “Bem Vindas” - por tanto
sofrer.
Um país, no seu mostrar - só ENTULHO.
Nada mais
restando, senão a Morte;
Morte que
se findou até mesmo na sua ESPERANÇA;
O QUE MAIS
RESTA???
Pelas ruas,
pelas casas - nada mais vejo, senão a destruição e a figura da MORTE.
TRISTE!
– É a Barbárie que não tem fim. Sempre e sempre por um pouco mais de
dinheiro a vir.


Meu querido
Sonhador pode ver, passados alguns dias, essa pequena - (quase nada)...população - restou.
Andar pelas
ruas, como uma procissão do
Senhor Morto.
- RÉQUIEM -
"AO
FUNDO, O TRISTE TOCAR DOS SINOS"
- Uma Ladainha, a
Martelar no Coração.
- Já nem sei...
perdido estou...!
Vemos, no seu caminhar fúnebre de seres humanos, que já foram, um dia, vivos.
Um Fúnebre Coral
no seu caminhar arrastado...
Seres
humanos semimortos, num gemido, profundo e triste;
tristeza que só
se sente - quando o mais NADA EXISTE.
Uma
águia vermelha de sangue
Surgirá,
qual conviva inesperado no teu banquete,
E,
durante todo dia, despedaçar-te-á corpo,
Rejubilando,
furiosa, com o que ainda de ti viver.
Edith
Hamilton-Mitologia
Não
chamar a si a tua dor e em vez de ti
Não
descer onde o Sol se transmuta em trevas,
Às
negras profundezas da morte
Edith
Hamilton-Mitologia

Que acaba
sendo... tanto!... e tanto!...
Que nem mesmo
tempo para gastá-lo tem!
- Ai! – Minha
criança, falou o Sonhador, eis que levado pela ansiedade da guerra não se
realizar, um dos Magnatas sucumbiu.
Realizou-se,
então:
FUNERAL
MAGNIFICENTE
- Meu amiguinho,
pena senti ver os COVEIROS, num gemendo Sem Parar.
Como condenados
fossem, com suas correntes nos pés pelo peso DESCOMUNAL - que carregavam;
- Peso sentiam ali depositados se via.
A Avareza,
Egoísmo e Bilhões em dinheiro, guardados para novos negócios em seu novo Lar.
POBRES
COVEIROS...!
Que ao carregar
aquele ataúde tão belo; feito em
rádica, das mais
lindas rosas;
Em sua tampa, quatro
flores de LIZ,
formando uma
composição em CRUZ.
Tudo a mostrar,
na PUREZA DO BRANCO a
-
"Nobreza-Ali-Estar" - o Sepultado -

HUMANO
Nova Assembléia
ocorreu.
Alta cúpula para
novas decisões.
- Pediu a palavra um
dos integrantes,
NEFAS HUMIL DOSO,
JR.
(Não me culpem
pelo nome, os culpados são seus pais. Esse é um nome herdado de uma grande
linhagem) - pessoa extremamente culta, e Humana.
Tinha como seu mais
querido Mestre – Machiavelli.
- Proponho, a essa
Nobilíssima Mesa, a aprovação de uma
TRÉGUA de QUATRO
HORAS na GUERRA.
Perplexos! -
ficaram seus Nobres Pares. Todos acharam essa idéia disparatada e sem
propósito.
Revoltados ficaram.
Nunca! Nunca!
- Uivavam!
Explicar o HUMANO disse:
com muita
Propriedade, Paciência. explanou:
-Essa medida traria
um bom olhar e a aprovação da imprensa Internacional, e de nosso povo.
Mostrando o quanto
HUMANOS somos com essa medida.
-Estaríamos, com
essa trégua, mostrando nosso HUMANISMO, permitindo que a população de Infërus,
pudesse conseguir alguma comida, algum socorro médico ou, ainda, na esperança
de encontrar seus filhos ou pertences em seus lares destroçados.
Aprovada foi por
aclamação a proposta do Humano.
Recebeu ele. como
nunca em sua vida, tantos abraços, congratulações e,
até
mesmo - no entusiasmo maior, beijos pela brilhante idéia.

Vendo o
sofrimento de meu pobre Sonhador - senti em meu peito a dor batendo.
Pobre e nobre
Senhor. Quanto é duro, no seu sonhar, sofrer o embate com essa realidade tão
amarga e tão rude.
Sentir a tristeza
de uma Realidade a quebrar seus Sonhos e suas Fantasias...
Belas eram - nada
mais que belezas guardadas com tanto carinho.
-Hoje perdidas-
Eu, agora, sem
graça, entendi a desgraça.
Fiz até mesmo uma
sugestão aos meus mestres:

TROCADO O NOME DE
GUERRA
Por que não, meu
mestre Sonhador, não substituir o nome GUERRA?
Nome -
RASSSCANNNTE - de difícil engolir,
Que ao passar
pela nossa garganta, tem o gosto do FEL.
Por que não
trocar esse nome, por um nome sonoro, bonito, de fácil falar.
Sentir a
suavidade da água fresca, em pleno verão, sendo mesmo gostoso como o MEL - ao
engolir.
HIPOCRISIA

PANDORA
Meu mestre Sonhador
falou, ainda, de sua Esperança a não perder nunca.
E mais uma linda
lição me ensinou...
- Lembre-se:
- É necessário ter,
bem guardadinha, em nosso bolso, nossa caixinha de

Senão Observe:
(...) – Da caixa brotaram, em
torrentes, inúmeras pragas, tristezas e males para a humanidade. Aterrorizada,
Pandora apressou-se a fechar a caixa – mas, infelizmente já era tarde demais.
Apesar de tudo, algo de bom lá ficou dentro – a Esperança –, o único bem que o
cofre continha entre tantos males, e esse ainda hoje continua a ser o único
conforto da humanidade nos momentos de infortúnio. (...)
Edith Hamilton.Mitologia

O FIM DA TRÉGUA e E - QUASE... O FIM DE TUDO
Terminado o prazo,
que o GENEROSO HUMANO propôs, de quatro horas, - segue o
horror.
Petrificados,
horrorizados.
Um enorme cataclismo
se dava a destruir a Terra, com a fúria de um apocalípse.
Meu Deus...! Meu
Deus...! Quanta destruição e mortandade;
Homens, mulheres,
crianças e animais massacrados.
...Virarem pó.
Criaturas humanas, em
farrapos, a andar, sem rumo pelas ruas como Zumbis.
Clamar...! E Clamar...!
- Meu bom e querido menino, que
tanto aprendi a gostar.
Deixo minha esperança em sua
Juventude,
a não perder a
pequena chama – QUASE NO APAGAR -

No Encerrar das Cortinas,
Deixo, como meu último e derradeiro falar:
A ESPERANÇA EM
SUA JUVENTUDE, que é o meu mais bem querer.


Vem agora em
minha lembrança, uma obra tão humana e rica:
“Recordações da
Casa dos Mortos”
VIVOS SEM VIDA, e
MORTOS QUE NÃO
FORAM ENTERRADOS.
Dostoiévski

Permito-me, meu
pequeno menino, ampliar essas tão graves cenas do Romance, para uma dimensão
maior,
MORTOS...!
MORTOS...!
e DOS VIVOS...
MORTOS...!


Espero ter mudado o
seu pensar,
Continue guerreiro
como já o vi ser;
Lembrando que a sua
“Guerra”
– OUTRA SERÁ -














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